Semana da Mata Atlântica: Exposição do Museu Octávio Vecchi terá mais de 60 peças

Acervo contém mobiliários e livro de visita com registro da rainha Silvia da Suécia

Fonte: Prefeitura de Praia Grande 
17/5/2016 | Paola Vieira

O Museu Florestal Octávio Vecchi confirmou participação na 4ª Semana da Mata Atlântica trazendo para exposição 67 peças de seu acervo, entre elas pranchas de madeiras entalhadas, mobiliários e o livro de visitas de 1992, que registra a presença da rainha Silvia, da Suécia, por ocasião da Eco92 no Brasil. Praia Grande sediará o evento de 31 de maio a 2 de junho, no Palácio das Artes (PDA).

Segundo a diretora do Museu, Leni Meire Pereira Ribeiro Lima, as peças do acervo proporcionam uma experiência contemplativa e lúdica, onde o público poderá conhecer as possibilidades de uso das diversas espécies de árvores, como a utilização da madeira como suporte para diferentes técnicas artísticas, como entalhes botânicos, marchetaria, confecção de mobiliário ou mesmo a xilografia.

“Parte das obras tem sido exposta ao longo dos anos, em diversos eventos, como forma de possibilitar ao público conhecer esse magnífico acervo científico, artístico e cultural. No entanto, é importante frisar que a própria arquitetura do prédio que abriga o Museu, seu forro, soalho e vitrais só podem ser apreciados numa visita local. Essa é uma rica oportunidade de apresentarmos mais uma vez a exposição ao público, já que ela pode ser contemplada por ocasião da 4ª Semana da Mata Atlântica, por um grande número de visitantes”, disse Leni.

A exposição ocupará um espaço de aproximadamente 600 metros quadrados do salão Nobre do PDA e, de acordo com a Diretora do Departamento de Educação Ambiental da Secretaria de Educação (Seduc) de Praia Grande, Eliane Queiroz, a expectativa é mostrar aos visitantes todo o ciclo da madeira e a sua história. “Teremos peças do inicio século passado. Isso vai contribuir muito para ampliar o conhecimento dos participantes”.

Em 2012, Praia Grande sediou o primeiro encontro sobre o tema. A iniciativa foi um sucesso e a partir daí foi estruturada a Semana da Mata Atlântica. Oficialmente, o primeiro Município a sediar o evento de cunho metropolitano foi Cubatão, o segundo São Vicente. Em 2015 foi a vez de Guarujá, que durante o encerramento anunciou Praia Grande como sede em 2016.

Para a organização da 4ª edição do evento foi criada comissão composta por representantes dos Municípios participantes e da Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem). Também apoiam o encontro o Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista (Condesb) e Comitê de Bacia Hidrográfica da Baixada Santista (CBH-BS).

Curiosidade – De acordo com a diretora do Museu, a maior parte das peças do acervo foi produzida pelas escolas artísticas criadas na instituição. A Escola de Xilografia do Horto foi criada em 1939 e nasceu a partir de uma iniciativa do Serviço Florestal (denominação do Instituto Florestal à época) em criar programas de ação cultural que pudessem tanto ter alcance social quanto contribuir com a produção científica da instituição. O alemão Adolph Kohler foi contratado para o posto de professor. Kohler foi um respeitado xilógrafo em Berlim que chegou ao Brasil em 1927. Acredita-se que, por ser uma pessoa influente em seu país (trabalhava na Casa da Moeda), foi convidado a se afiliar ao partido nazista. Não querendo ceder à pressão e para evitar perseguições, acabou deixando a Alemanha. Os alunos eram funcionários selecionados que tivessem alguma aptidão para o desenho. O Serviço Florestal realizou pesquisas testando vários tipos de madeira nativa até chegarem ao guatambú rosa como a espécie ideal para a confecção das matrizes. O professor Kohler buscava junto aos alunos a representação fiel da imagem, exigindo um alto grau de detalhismo em suas produções. A Escola de Xilografia do Horto funcionou até a morte de Kohler, em 1950.

Entre outras escolas artísticas, o Serviço Florestal abrigou também a escola de Charão (laca japonesa). A técnica consiste em envernizar objetos utilizando a seiva natural da árvore do charão. O japonês Riochi Nakayama, fundador do curso, chegou ao Brasil em 1929 e trouxe sementes de charão pela primeira vez ao país. O Serviço Florestal financiou o plantio no Parque e em 1938 foi realizada a primeira extração da seiva. A árvore causa forte irritação nas pessoas, como a urtiga, o que fez com que ao longo dos anos muita das árvores fossem cortadas. O curso funcionou até 1972. Os estrangeiros tiveram grande importância na história do Museu, visto que o próprio fundador, Octávio Vecchi, era português.